Terça-feira, Outubro 09, 2007

maniqueísmo político

Em Democracia é lamentável que quem controla o poder tenha receio daqueles que se lhe opõem. Uma liderança educada na melhor tradição humanista de cultivo da dialéctica política em prol do Bem Comum não procura eliminar as vozes dissonantes. Nem tão pouco as menospreza.

Em Democracia, um governo não pode, impunemente, sugerir que um determinado Partido Político está na base de uma acção que, não obstante relativamente menor, conforma um crime. Nem recorrer a estratagemas e malabarismos semânticos que, invariavelmente, se traduzem num discurso marcado pela sensação generalizada de perseguição pelos mais diversos "fantasmas" (vg. sindicalistas, comunistas...).

Em Democracia isto não pode acontecer. Porque há maniqueísmos que são típicos dos totalitarismos.

9 comentários:

Paulo disse...

Cada vez mais me parece que há motivos para gritar. Estas notícias desta democraciazinha de beira mar está podre e cheira mal. Aliás, fede!

José Raposo disse...

Max, desta vez não concordo contigo. Tinha de acabar por acontecer :) Explica-me lá essa coisa de um governo quase endeusado que identificas como "Uma liderança educada na melhor tradição humanista de cultivo da dialéctica política em prol do Bem Comum"... Isso é coisa que não existe e muito menos se deve esperar isso. Aquilo que para mim é bem comum pode não ser para ti e ainda que todos achemos que somos educados e que perseguimos o bem comum, isso não é garantia que temos todos de concordar, felizmente, antes pelo contrário. O que é um governo senão a consagração de um partido? Deve um determinado partido quando legitimado a governo abster-se da vida política mundana, que aparentemente continua reservada aos restantes partidos? Isso garantiria uma melhor democracia? Creio que não. Creio que reconheces que um discurso marcado pela “sensação generalizada de perseguição” pode tb ser interpretado como pertencendo às constantes afirmações dos sindicatos em que grande parte dos portugueses não se consegue rever, ou até pode ser tb utilizado para definir o próprio discurso do PCP, mas quem se atreve a criticar o PCP ou o sindicalismo incorre em crime de lesa-majestade, como se sobre estes recaísse o privilegio de nunca errar...
Totalitarismos, como tu bem sabes e aqui tantas e tantas vezes bem explanas, é comermos todos do mesmo prato e gostarmos todos do mesmo sabor.
Esta tonteria em que infelizmente tanta gente começa a alinhar, de que este governo é arrogante ou totalitarista não tem qualquer fundamento e não são definitivamente estas afirmações de Sócrates que consubstanciam esse ambiente.
Aliás isto não passa de um sintoma de uma oposição fraca que politicamente não tem capacidade de fazer frente a este governo e que por isso arrasta para as blogosferas e comunicação social uma guerra sem quartel a este governo pelo que faz, mas também pelo que não faz mas que alguns opinion makers dizem que vai fazer e gastam folhas e folhas a escrever sobre não eventos.
Nunca, mas nunca houve em Portugal um governo cuja política, por mais irrelevante, mínima ou inócua, fosse tão escrutinada como neste (no caso do Santana não era a politica que era escrutinada)
Cada soluço, ataque de caspa ou cuspidela de ministros ou do primeiro-ministro é interpretada como sintomas de coisas que pura e simplesmente não existem, mas que alimenta milhares de comentadores ávidos de protagonismo, que na realidade são a verdadeira oposição ao governo mas sem a desagradável responsabilidade de se submeterem ao sufrágio dos eleitores.

pedro silva disse...

Max: em democracia uma governo pode fazer isso se raciocinar de forma dupla. Um das formas de raciocínio é uma constante pregação quando um partido está na oposição acusando a sua contra parte política de querer alterar as regras da democracia.

A outra forma de raciocínio é quando chega ao poder começar a fazer aquilo que antes censurou à contra parte política que se lhe opõe, chamar a isso democracia e legitimidade e fazer com mais zelo e fervor o que antes criticava à contra parte política que se lhe opõe.

Além disso este governo tem sido levado ao colo pela imprensa, que raramente faz análise critica das medidas do mesmo; existe uma tentativa de criação de culto de personalidade à volta do senhor que é primeiro ministro.

Para lá disso existe o constante discurso de vitimização e de procura de convenientes bodes expiatórios, neste caso o PCP, um partido brutalmente poderoso que vale 9% eleitoralmente - um peso pesado ... que serve apra justificar todas e mais algumas contestações que sejam feitas os governo, como sendo contestações orquestradas.
É um Governo que governa MAL, não tem qualquer ideia estruturada acerca do que anda a fazer e demonstra ser perigoso na forma com entende os cidadãos e a sociedade e na forma como os ataca.

É absolutamente óbvio que as coisas estão pior; que estarão pior após 4 anos de propaganda sistemática de reformas que não existem excepto na cabeça do governo e dos seus apoiantes, e qualquer pessoas que contacte com qualquer serviço público percebe imediatamente que nada, mas mesmo nada funciona em condições.

Pelo meio temos apenas e só a mentalidade de cerco.
Isto é o PS.

Pedro Fontela disse...

Ouvi agora mesmo que o José Rodrigues dos Santos já foi purgado dos quadros da RTP (pelos comentários que fez sobre a interferência do PS na RTP...), comoçou a "purificação" do estado...

José Raposo disse...

Continuemos a atirar ao lado...

Pedro Silva, "este governo tem sido levado ao colo pela imprensa..."??? Que tipo de comunicação social é que o Pedro lê, vê ou ouve? Eu não conheço exemplos de jornais, televisões, rádio ou blogs onde diariamente todas, por mais irrelevantes ou justas, medidas do governo, não sejam fortemente apresentadas como negativas para o país e o governo seja constantemente retratado como um bando de malandros. Aparentemente o Pedro conhece, por favor indique-me alguns exemplos.

Não lhe deve ter escapado que a comunicação social não faz análise crítica do governo, porque não faz análise crítica coisa nenhuma. Mas isso não evita que por cada passo do governo todos sem excepção façam correr pelos mais variados meios os críticos do costume nos mais variados lamentos. Eu até acho bem, agora não me parece razoável é dizer-se que o governo é levado ao colo.

O discurso de vitimização creio que é algo que tenho a ligeira impressão de já ter ouvido antes de 2005, Não foi? É capaz de não ser um exclusivo do governo Sócrates... E como dizia anteriormente, eu ou qualquer outra pessoa pode facilmente interpretar como sendo esse tipo de discurso ao ouvir os sindicatos ou o PCP.

Ora o governo governa mal, perdoar-me-á, mas governa mal para si. Quem é que lhe disse que é absolutamente óbvio que as coisas estão pior, é óbvio para si. Para outros não será. Se todos gostassem de peixe, não havia colesterol.

Não me interprete mal, não julgue que o estou a atacar. O Max sabe que não é o meu estilo. O que eu acho inaceitável é fazermos um exercício de que a comunicação social geralmente não presta, mas que se falar mal do governo já podemos aceitar tudo o que diz como verdades absolutas, como se de repente só os governantes e estes governantes em particular tivessem interesses no estado do país, que o PCP fosse gente sem mácula incapaz do mais impuro pensamento e os sindicatos estivessem limpos dos mais intricados interesses corporativos.

O que eu acho é que muitas vezes tratamos estas questões como sendo ameaças à democracia da parte do governo, mas desconhecemos a maioria dos dados, porque nas nossas cabeças metemos a absurda ideia que este tipo de ameaças apenas surge no seio governos sejam eles de que cor forem.

O que nós estamos a contribuir é para um ambiente que na realidade não existe porque a generalidade das pessoas se está a cagar para o que a comunicação social diz ou o que os bloggers opinam, em detrimento de um esclarecimento sério do debate politico do qual a maioria das pessoas opta por fugir pois não se diz nada mais do que gritar acusações a torto a a direito, curiosamente totalmente infundadas.

Manda-se umas atoardas, diz-se umas palavras de ordem, mistura-se com populaça e já está.

max disse...

amigo raposo :)

"Isso é coisa que não existe e muito menos se deve esperar isso"

Não existe? Não se deve esperar? Porquê?

Sejamos práticos e directos: eu não falei de um governo de super homens. Eu falei de cultura. De cidadania. De educação cívica. De correcção política. De decência. De reponsabilidade de quem está no Poder.

Não entrei em discussões do que é o Bem Comum. Para o que se aborda, "Bem Coumum" é tão somente zelar por uma Democracia salutar expurgada de afrontas ao sistema como as relatadas. E nisto, sejamos claro, de mim a ti, da Esquerda à Direita, todos havemos de convir ser este o caminho certo. O da defsa da livre dialéctica política.

Em Democracia, a dialéctica tem que ser acautelada e estimada. Por todos. Como um "Bem Comum". Parte de um mínimo ético transversal à sociedade.

Assente isto, nunca ninguém leu neste Devaneios qualquer exagero denunciador de um "totalitarismo socialista". Evidentemente que não o fiz porquanto sei o quanto seria desrepeitador de todos aqueles que, de facto, sofreram situações totalitárias. Os termos em que tal tem sido banalizado são, na verdade, uma tontearia.

Mas a Sociologia Política, a Filosofia Política e, no somatório, a Ciência Política, são áreas fecundas de estudo dos mecanismos do Poder. E, nessa sede, há um ensinamento que emana dos melhores tratados: o Governo Totalitário é tão somente um estádio final. Os passos que conduzem a esse estado, mesmo que não intencionais, são por vezes pequenos. São, não raras vezes, apenas e só, questões de semântica política. Por exemplo, de vitimização. De cultivo da mentalidade maniqueísta. Do Bem e do Mal. Do cerco.

Evidentemente que isto não é um exclusivo do Partido Socialista. É, grosso modo, uma tentação das malhas em que se enreda quem está no Poder.

Não obstante, isso não invalida que em Democracia se faça a saudável denúncia dessa deriva. O apuramento, melhor o afinamento, do sistema Democrático é, tem de ser!, uma tarefa constante. Até na mais perfeita das democracias essa tarefa de expurgo se assume como um imperativo de uma cidadania politicamente consciente.

Amigo José: comprendo o que dizes. Percebo a tua ideia. Mas como sabes que eu conheço o teu estilo, também já devias saber que as críticas que faço no Devaneios não são "meras atordoadas para misturar com a populaça". Se só agora escrevi sobre o assunto é porque, de facto, agora me pareceu um imperativo. O tal da cidania politicamente consciente.

pedro silva disse...

Caro José raposo: claro que não penso que está a atacar-me pessoalmente e claro que não levo a mal o que escreveu.

No entanto diga-me: este governo teve que aturar um jornal Independente como o Cavaco teve que aturar?

Teve que aturar uma imprensa que apesar de tudo era, naquela época, menos mansa do que é esta agora?

Eu que não gosto do Cavaco,e detestei intensamente aqueles governos tenho que ser justo e comparar.

As medidas do PS em dois anos são completamente "não criticadas". Não existe qualquer análise séria feita nos jornais.
O que existem é comentadores de opinião, estilo VPV ou Constança cunha e sá. Isso é diferente de escrutínio sistemático e democrático. Ou aquilo que o jornal Público faz - com uma actual tiragem de 45 mil exemplares.
Nos tempos do cavaquismo chegou a ter 90 mil de tiragem.

Agora compare o actual com a ferocidade do expresso, publico, televisões privadas a nascerem, Independentes, rádios etc, dos inícios dos anos 90 com a actualidade e diga-me se é comparável o ambiente.

Especialmente nas partes económicas. Em que nada, mas nada do que o PS tem feito em termos de preparar um sistema para ser privatizado é minimamente criticado ou analisado.
Há uns tempos andei á procura de noticias online obre fechos e reestruturações de empresas o sector cervejeiro.
Não encontrei nada online que se pudesse citar.No entanto eram inúmeras as referencias a fecho de unidades aqui e acolá.Mas encontrei as informações em blogs ou em sinapses de páginas.
As páginas propriamente ditas foram misteriosamente retiradas de circulação.

E quanto ao sindicatos e ao PCP, aí está um dos erros deste governo e do PS.
Estar sistematicamente a atacar sindicatos e a estigmatizar e PCP de caminho, é uma lógica muito útil para tentar provar que "os radicais" do sistema são os sindicatos e o PCP, enquanto que o PS é que é o moderado. Ao mesmo tempo que se vão privatizando umas coisas e exercendo controlos totalitários sobre a população.

Os mesmos controlos totalitários que o PS na oposição sempre berra e se opõe, e quando chega ao governo é sempre o primeiro a impô-los.

Ou vai-me querer convencer que mandar gravar chamadas de telefone e emails de TODOS os portugueses é uma medida democrática? Utilizando para justificação de implementação o "terrorismo"?

Ou aligeirar a forma como os mandatos para entrar em casas particulares e as autorizações para outro tipo de operações do mesmo género vão passar a ser feitas?

Lembro-me da algazarra que o PS fez na marinha grande quando a policia entrou por uma câmara municipal dentro.
Agora não é um ataque frontal mas são dois policias à paisana que entram dentro dum sindicato e intimidam quem lá está.

Tirando a diferença de grau de agressividade a falta de comportamento democrático em ambos os casos é evidente.
Ou isto não o preocupa?

Quanto ao governo governar mal:
Vou dar um pequeno exemplo pessoal.
Em 2003 precisei de uma consulta num hospital. 4 meses de espera.
Eram os malandros do PSD que lá estavam.

Em 2007 precisei de uma consulta num hospital - o mesmo.
Marco-a no inicio de Junho deste ano.Dão-me data de 19 de Setembro.
3 meses e 20 dias.
Um dia antes recebo aviso que foi adiada.Sem nova data.

Pergunto: isto é governar bem?
Pactuar com este tipo de coisas?
Ter que reclamar para 3 sítios diferentes seis vezes?
Peço um relatório ao referido hospital em 20 de Julho e ainda não me chegou às mãos?
Contacto os correspondentes serviços do ministério da saúde e encolhem-se de agir com medo do hospital em questão.
Pactua-se com isto? Isto é bom?

Na minha zona;as urgências foram encerradas.Atendiam 200 pessoas por noite.
Isto só na área da saúde.
Podia dar exemplos de outras áreas.

Isto é melhorias?

Todas as pessoas que conheço se queixam do mesmo em relação às mais variadas áreas.

Necessitei de contactar nos últimos meses vários serviços públicos:; ou não se atendem telefones, ou os serviços de emails estão em baixo, ou sou aconselhado por telefone a fazer contactos por telefone porque o email não funciona.

Uma coisa é a retórica do governo.

Outra coisa é observar as coisas directamente contactando-as.
Aí não vejo melhoras nenhumas; antes, está pior. Muito pior.


E volto a repetir: um governo que manda gravar emails e telefonemas durante um ano é um governo do qual se deve profundamente desconfiar, seja qual for a cor política dele.
Deste desconfio.

Daqui a 2 anos fazem-se contas. Mas o resultado é simples. 4 anos perdidos apenas e a só aplainar caminho para o PSD que vier a seguir ou outra coisa qualquer.

Porque abrir caminho em certas áreas em que o PSD nunca ousou mexer, é aquilo que o PS está neste momento a fazer.

cãorafeiro disse...

hannah arendt escreveu, em relacao aos EUA durante os anos 50, que nas democracias tambem conseguimos identificar sinais de totalitarismo.

ela usava o exemplo da caca as bruxas de macarthi

claro que nas democracias podem haver desvios proto totalitarios.

a essencia da democracia e a auto limitacao do poder pela lei, mas como a lei e feita por quem exerce o poder, nao e dificil abusar dos mecanismos legais para abusar do poder.

e claro que ha preocupantes desvios ao espirito da democracia nas democracias da europa ocidental actualmente.

nao so na portuguesa, mas o que vivemos em casa afecta nos mais do que os problemas dos nossos vizinhos.

ha alguns dias li um artigo de giovanni sartori em que ele definia o que e o populismo, e ele dizia que nao temia nem o fascismo nem o comunismo, que estavam historicamente datados.

temia sim os desvios autocraticos que vem obresvando dentre dos sistemas democraticos.

mas pelos vistos o giovanni sartori, a hannah arendt, o max o pedro silva e eu somos uns paranoicos.

o jose raposo e que tem razao...

finalmente peco desculpa pelos erros ortograficos, mas este teclado e um bocado marado...

José Raposo disse...

Max, Pedro Silva, Pedro Fontela e cãorafeiro.
Estou de saída da blogosfera amanhã e não queria ficar com esta questão pendente convosco.

Primeiro, Pedro Fontela, tb é culpa deste governo ser aberto um processo disciplinar a um jornalista por considerar que houve intervenção da administração da RTP na escolha de uma correspondente em 2004? Não sabia que o José Rodrigues dos Santos fazia parte do Estado, mas é desta forma que começam as histórias. Porque na realidade ele não é afastado por comentários à intervenção do PS, porque o PS não estava lá em 2004…

Estão a perceber onde é que eu quero chegar? É que para mim é indiferente a cor de quem está. O José Raposo (já pareço o presidente da república…) não quer ter razão. O que eu quero é que a falarmos de derivas autoritárias, saibamos mesmo do que estamos a falar e não de uma determinada agenda que alguém nos impõe tomando-nos a todos por parvos.
Eu estou atento às derivas autoritárias e combato-as da mesma forma que vocês. O problema aqui é totalmente diferente.

É que só há dois caminhos.

Ou estamos perante um fenómeno relativamente casual, resultado de uns funcionários públicos mais zelosos, apostados em gerar simpatias disparatadas junto das suas chefias, numa altura em que este governo impõe a avaliação dos funcionários, ou em alternativa temos de ter a coragem de afirmar que aquilo que se está a passar é uma politica deliberada do governo, de condicionar, manietar e intimidar a opinião publica e se assim for tem de ter havido uma indicação expressa para que isso aconteça de forma generalizada, tendo em conta que estamos a falar de acontecimentos relativamente dispersos no país.

Ora isso para mim é que carece de total comprovação, apesar das páginas e páginas com insinuações sem argumentação válida a não ser a opinião dos milhentos comentadores, que aparecem naquela imprensa que o Pedro Silva considera benevolente para este governo, mas mázinha para os anteriores.

Ou acham os senhores que havendo algum tipo de indicação por mais leve que seja, a determinados serviços, numa altura em que a administração pública está em pé de guerra com o governo, não estariam já escarrapachadas nas primeiras páginas as provas dessas sugestões? Não vos parece estranho que não haja um memorando, uma circular, um único documento que fundamente a ideia que o governo se está a tornar totalitário?

A mim parece-me que alguém nos está a querer atirar areia para os olhos e honestamente a forma inconsequente e atabalhoada como o governo lida com estes casos só me confirma essa ideia. Se isto fosse uma estratégia concertada, já tinha de haver um plano B.

Cãorafeiro, concordo que o perigo são as derivas autocráticas. Concordo que devemos estar atentos. Mas acho que estamos a procurar no lado errado devido a uma total aversão àqueles que nos representam no poder, que subitamente são acometidos dos maiores males do mundo pelo simples facto de serem eleitos. Para esse peditório eu nunca dei nem dou.

Pessoalmente eu prefiro um primeiro-ministro que se acha que as manifestações são organizadas pelo PCP, que o diga. E os senhores sabem que muitas vezes são mesmo. Que o diga porque isso condiciona o totalitarismo que vocês invocam, ao expor todas as iniciativas que um governo tivesse para limitar o PCP de forma encapotada. Assim fica tudo às claras. Além de que tb permite ao PCP fazer o processo de vitimização…

“gravar chamadas de telefone e emails de TODOS os portugueses” não é uma medida do governo PS. Estamos novamente a repetir uma afirmação muitas vezes e mais tarde ou mais cedo ela agarra-se ao governo e já ninguém se recorda quem é se lembrou deste disparate. Eu não concordo nem posso concordar com esta medida mas ela deriva de uma iniciativa comunitária que está em estudo. Eu tb não gosto que os meus dados sejam fornecidos aos americanos quando eu vou lá, mas não me recordo de ter visto grandes manifestações sobre esse assunto.

Pedro Silva, uma experiência pessoal de como o governo não presta? Tenha paciência. Esse é o exercício acrítico que faz a comunicação social que o Pedro critica. Pega numa criancinha que sofre, fá-la aparecer na televisão e isso ajuda a criar a ideia que todas as criancinhas sofrem. Mas o Pedro reconhecerá que isso arrasta a discussão para a subjectividade e daqui a pouco somos dois monos que discutem coisas que ninguém percebe o que é porque não estiveram lá na experiência pessoal…

Eu até posso ter experiências pessoais que considero negativas, mas que possa considerar úteis ao país.

Entenda que eu não estou contente e muitas, mas muitas vezes tenho críticas a fazer a este governo. Mas desconfio que tenho muitas mais a fazer ao país, porque não pode negar que nestes quase 3 anos, se tem tentado fazer determinadas coisas aos mais diversos níveis de forma diferente daquela que estávamos habituados à décadas.

Pode dizer-me que não está a resultar, pode dizer-me que não gosta da forma como algumas reformas estão a ser feitas e pode achar que há pessoas que estão a ser ultrapassadas/esquecidas. Eu até posso concordar consigo em muitos aspectos. O que não me é possível concordar é com o imobilismo em que este país se apresentava e inexplicavelmente muita gente está interessada em que continue.

Meus caros encerro aqui, não por falta de vontade de continuar a discutir, mas porque vou mesmo fechar as portas.

Max, sempre que puder vou passando por aqui para me manter actualizado :) , mas esperam-me novos desafios e interesses fora da blogosfera.

A todos as melhores felicidades.