Um dia, num autocarro do Alabama, uma mulher não se levantou para ceder o seu lugar. Entendeu, na clareza nítida de um instante tornado histórico que a sua dignidade de ser humano não se vergava perante os ditames de uma maioria porque, pura e simplesmente, maioria. Na lucidez anunciadora de uma nova Era, a senhora que, por ser negra, costumeira e juridicamente estaria, à partida, obrigada a entregar o seu lugar a quem tivesse sido agraciado com a genética branca de uma maioria pálida de falta de vergonha, permaneceu exactamente onde estava.
E recusou ceder. Negou sufragar os entendimentos de quem não compreendia a História. E, com ela ali sentada, levantaram-se tantos que de um regato se fez um Rio e de um Rio se fez um Mar de ansiosos por Justiça.
E Liberdade.
Ser activista de direitos cívicos é transportar em nós algo de Rosa Parks. É não entender, compreender, aceitar ou conceber que determinado individuo possa ser reduzido, menorizado, menosprezado porque, tão simplesmente, diferente. É negar as amarras de um atavismo que nos prende e propositadamente nos quer impor a fatalidade inabalável da coisas como elas são.
Ser activista dos direitos LGBT é, naturalmente, assumir a defesa de uma causa que é, acima de tudo, humanitária e cívica.
É afirmar, à luz clara de um dia que também se fez para nós e com um orgulho que é desenvergonhado e despretensioso, o advento de uma nova Era em que não cedemos a ninguém o lugar que também é nosso nesse autocarro da Liberdade.
[Foi este o meu modesto contributo para o novo Portal Ovelha Rosa. Activismo, visibilidade LGBT, política, viagens, encontros, consultórios jurídicos e médicos, cultura, shopping...tudo num projecto para todos e com todos, ao qual desejo as melhores felicidades.]
[publicado simultaneamente no Devaneios LGBT]

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