Quinta-feira, Janeiro 29, 2009

cartoons: caterpillar despede 20000 pessoas

5000 na Microsoft, 25000 na Hewlett Packard, 7000 no Banco ING, 5000 na Ericsson, 25000 nas indústrias automóveis japonesas, 10000 na Boeing, 3000 na Ford, 15000 na Panasonic ... e 20000 na empresa de maquinaria pesada de construção caterpillar.

Os tempos que correm, num cartoon de Sondrom publicado no Vers l'Avenir de Namur, Bélgica.

Quarta-feira, Janeiro 28, 2009

da linguagem da crise (#2)

Hoje, o editorial do Diário de Notícias, e em resposta ao discurso do Bastonário da Ordem dos Advogados onde denunciou as incursões dos órgãos de Polícia e Investigação criminal pelos escritórios de advogados, menosprezou a denúncia, afirmando que, "em época de crise, não é disso que precisamos, por já termos suficiente o que nos inflame na realidade".

Que semelhanças há entre estes dois discursos?

Vejamos por partes.

Mário Soares tem um inegável passado de luta cívica e humanista. Mas veio agora considerar a luta pelos direitos cívicos dos homossexuais como uma questão absolutamente nada pertinente e de consciência. Sabemos bem como este tipo de jargão busca, essencialmente, esvazear a dimensão política de um debate que deve ser isso mesmo: assumir posições e, como tal, efectuar escolhas políticas. Negá-lo é menosprezar a faceta de consagração social objectivamente cívica e humanista que representa a luta pelo direitos homossexuais.

Imensamente mais lamentável é, no entanto, quando um humanista, nada mais buscando senão o fito absolutamente reaccionário supra exposto, se socorre do mais fácil dos argumentos: a unanimidade demagoga em face dos "crise que nos afronta". Isto porque é justamente àqueles cujas causas humanas mais tocam que jamais deve faltar a sensibilidade e compreensão da justeza e da permenente urgência na luta por direitos cívicos.

Preocupante e revelador é que o faça recorrendo a uma determinada "linguagem da crise" que, como já aqui defendido no Devaneios, transporta em si uma dada "proto-simbologia" genética de um certo fascismo.

Quando Marinho Pinto falou, é certo no seu costumeiro estilo algo telúrico, no facilitismo com que se encetam buscas em escritórios de advogados não fez, ao contrário do que os cínicos imediatamente urdiram, qualquer defesa corporativista de prerrogativas sociais da classe.

O advogado exerce, acima de tudo, uma função de defesa do indivíduo perante o poder do Estado. Nessa tarefa acede à intimidade do cidadão em numerosíssimos aspectos da sua existência social. A protecção da sua intimidade profissional e a necessária brandura dos poderes perante o seu ofício são indicadores civilizacionais e de maturidade democrática, atestandoo respeito do Estado pelo indivíduo.

Recorrer persistentemente às buscas a escritórios de advogados, às vezes por indícios manifestamente pífios, é desequilibrar irresponsavelmente aquilo que é património da luta pelos direitos cívicos do indivíduo.

Que a direcção editorial de um grande jornal como o DN não o compreenda e opte por menosprezar a questão em face da premência da dialéctica da crise é, pelo menos, irresponsável.

A crise será, pois, limite e altar da vida pública nos próximos tempos. Como se a Democracia nascesse do uníssono e nela se apoiasse...

Sábado, Janeiro 24, 2009

Devaneios...by Twitter

Já lá estava há algum tempo mas apenas hoje entrou em plenitude de funções: Devaneios no Twitter.

agenda #48

"Shopping & fucking" - "Foder e ir às compras". Uma reflexão sobre a sociedade de consumo, a globalização, a violência de género e do corpo, numa peça teatral de Mark Ravenhill em exibição no Teatro das Figuras, em Faro, a partir de 28 de Fevereiro.

E já agora, e a propósito de s do Devaneios, a caixa de bitaites deste estaminé tem sido simpaticamente utilizada por muitas pequenas associações, colectividades artisticas, grupos de intervenção política e cultural e até bandas de garagem que me fazem chegar ficheiros mp3 com as suas músicas, pretendendo tão-somente ajuda na divulgação das respectivas actividades.

A rede ex aequo, por exemplo, foi alvo recente de referência. E porque é meu intuito, de ora em diante, continuar a ajudar na divulgação destas actividades, queiram os interessados que por aí eventualmente existam entrar em contacto.

a mão de ferro de Putin

Bruxelas agita-se freneticamente cada vez que Moscovo fecha a torneira do gás no leste europeu. Mas o frenesim dura pouco, pouco mais do que o tempo que demora mandar um eurocrata ao Kremlin suplicar a sua reabertura. De lá, os governos europeus voltam sempre silenciosos.

Cegos de uma cegueira voluntária, os eurocratas, as chancelarias em muitas capitais da UE e grande parte da opinião pública europeia não percebem o significado de um assassinato - mais um! - de um conhecido advogado activista dos direitos humanos na Rússia e da jornalista que o acompanhava.

Merkelov foi executado numa rua do centro de Moscovo, pouco depois de sair de uma conferência onde, momentos antes, havia denunciado a libertação antecipada do ex-coronel do exército russo Iuri Budanov, acusado da violação, tortura e execução de Elza Kungaieva, chechena de 18 anos, em Março de 2000.

Do mesmo modo como se ignora o escândalo político em curso na Áustria, onde a revista semanal Falter denunciou que o Procurador Geral e o Ministro Interior austríacos haviam sido avisados em Junho de 2008 que "interesses russos" preparavam a recente execução, ocorrida a 13 de Janeiro numa rua de Viena, de Oumar Israïlov, rebelde checheno e exilado político, a residir nacapital austríaca. Coincidência, ou talvez não, Israïlov preparava-se para colaborar com o Tribunal Europeu dos Direitos do Homem na denúncia de algumas atrocidades levadas a cabo pelas autoridades russas em Grozny, capital da Chechénia bem como de actos de tortura praticados pelo Presidente fantoche Ramzan Kadyrov.

[cartoon do artista sueco Riber]

Terça-feira, Janeiro 20, 2009

bastavam, afinal, 3 meses de debate

«dir-me-ão que o problema é apenas de uma minoria, mas quero dizer o seguinte aos camaradas: o reconhecimento dos direitos e da dignidade de uma minoria é a vitória de todos»

Bonitas palavras as de Sócrates. Mas o que levou os mesmos socialistas que há três meses consideraram não ser oportuno reconhecer direitos fundamentais a uma minoria a assumir, agora, a necessidade de "pugnar por uma sociedade mais igualitária"? Que debate foi esse que há poucas semanas não "tinha ainda existido no país" e que, de repente, já foi feito? Porque não era esta uma questão essencial em Outubro de 2008 e agora, em Janeiro de 2009, passou a ser aquela "da liberdade, da igualdade, da dignidade individual e da luta contra todos os tipos de discriminação".

A Política tem esta faceta. Uma malha tentacular de hipocrisias de memória curta que, de forma às vezes tão notoriamente surreal, embala sociedades inteiras no pântano moral que são (quase sempre) os comandos da Polis.

E, assim sendo, sejam pois lindas as palavras de Sócrates. Que ecoem fluídos as suas pugnas "pela Igualdade e contra a Discriminação". Empenhos novos de um Partido Socialista que num passado bastante recente foi capaz de uma Lei de Procriação Medicamente Assistida que afastou mulheres não casadas, ou casadas há menos de dois anos, de tratamentos médicos de fertilidade, embargando-lhes direitos reprodutivos e afectivos de forma gratuita, não fosse alguma delas desejar essa coisa tão vanguardista de ser mãe solteira sem a protecção de um homem.

Ou pior....ser lésbica.

Um Partido que ainda há poucos dias, pouco antes de se tornar tão progressista e liberal, afirmava desavergonhadamente que a dificuldade dos homossexuais na doação de sangue não era uma "discriminação, apenas precaução" .

Canto novo este o de Sócrates que certamente embalará os mais incautos.

Entretanto, saibamos, não obstante, aproveitar aquela que é, inegavelmente, mais uma grande vitória do movimento LGBT português. O caminho está, agora, plenamente delimitado. E, talvez como nunca, o sonho de mais Igualdade e de mais Felicidade parece, agora, possível.

À frente de todos aqueles que têm vindo a lutar por isto está ainda um percurso bastante sinuoso. As eleições são, reconheçamos, uma incógnita. Por outro lado, desconhece-se ainda a reacção de poderosos sectores da sociedade, até ao momento tão silenciosos - a Igreja Católica, por exemplo, não pode ser menosprezada e - as últimas eleições espanholas atestaram-no - pode vir a ter a pretensão, em face destes desenvolvimentos, de abertamente interferir na campanha eleitoral portuguesa. Saibamos, com elevação, seriedade e calma aguentar as ofensas, o obscurantismo e a irracionalidade das comparações com zoofilia, pedofilia e demais aberrações que aqueles que se nos opõem, em desespero, gritarão aos quatros ventos. Antecipemos e combatamos o menosprezar da causa em face da linguagem da crise, sempre pronta a servir de ratio última de união da pátria em torno de propósitos únicos pouco dados a temas alegadamente fracturantes. Evitemos a tentação das soluções de segunda que espíritos "bem intencionados" nos tentarão, certamente, oferecer.

Unamo-nos no cobrar desta promessa. E aí algures, afinal bem próximo, encontraremos a Liberdade.

[publicado simultaneamente no Devaneios LGBT ]

Quarta-feira, Janeiro 14, 2009

coisas do diabo

Cautela com os amores. Pensem duas vezes em casar com um muçulmano, pensem muito seriamente, é meter-se num monte de sarilhos que nem Alá sabe onde é que acabam.

Ouvir D. José Policarpo desaconselhar o casamento com muçulmanos, é algo que deverá apenas espantar os mais incautos. Junte-se alguma dose de descontextualização das afirmações ao posicionamento histórico da ICAR, com a devida islamofobia q.b. que tantas largas camadas do Catolicismo alimentou ao longo dos tempos, e aí temos. Agora, ouvir "Sua Eminência" dizer que o diálogo com os outros é difícil porque "eles apenas aceitam uma verdade única"...é, vá lá...convenhamos, no mínimo cómico. Pelo menos vindo de quem vem.

Domingo, Janeiro 11, 2009

da linguagem da crise

"(...)Como o Presidente da República disse na sua Mensagem de Ano Novo, a agenda da classe política deve estar centrada no combate à crise que afecta o País e a atenção dos Portugueses não deve ser desviada dos problemas que efectivamente os preocupam."

Cavaco Silva veio a público dizer que não falou com ninguém sobre as datas das eleições que deve marcar. Tratar-se-ia de uma notícia de somenos importância, porventura mais relacionada com o azedume político que emana de Belém do com o facto em sim, não fosse o último parágrafo da mensagem, supra transcrito, que mandou publicar no sítio da Presidência da República.

O Presidente insiste, aliás desde a Mensagem de Ano Novo de Janeiro de 2008, na necessidade Portugal enveredar por caminhos de consenso, face à crise em que se encontra. Pretende, naturalmente, a Presidência assumir um papel balizador do debate político, chamando a si uma áurea legitimidade supra partidária que fará o deleite de muita opinião pública. Afinal de contas, o Povo político dificilmente entende que os políticos "percam" tempo com outras coisas "quando isto está tão mal". Toda a gente sabe disto e não é preciso ser-se um bem pago conselheiro político em Belém para o constatar.

Assim, este chamar dos políticos "ao que realmente interessa" que a Presidência arrogantemente tem levado a cabo, transporta em si a linguagem genética de um certo fascismo. A necessidade torpe de todos nos unirmos em face de desígnios maiores como aqueles da salvação de uma Pátria atormentada, recusando à partida a dialéctica, a fractura, a discórdia, a dissonância e a dissidência procuram, objectivamente, levar os discordantes a concluir a necessidade de um silêncio conivente, manso, quieto e pouco dado a opiniões alternativas ou a sínteses diversas de prioridades.

Esta linguagem da crise serve, assim, propósitos absolutamente ademocráticos, nele se perputuando os consensos, bafientos e acríticos, na base de todos os clientelismos, inércias, atrasos, corrupções, nepotismos e subdesenvolvimentos deste país.

Devaneios CityBreak: Glasgow

Glasgow!! Desde 2,5 euros (taxas incluídas), à partida de Faro para Glasgow (Prestwick), em voos da Ryanair, ou a partir de 26 euros (taxas incluídas) à partida de Faro para Glasgow (International) em voos da Easyjet ou da FlyGlobespan.

Para outras sugestões do Devaneios, consultar a coluna "devaneios CityBreak" deste blog ou este site.

Quarta-feira, Janeiro 07, 2009

rede ex aequo

Na caixa de bitaites do Devaneios surgiu um pedido de uma associação a que, com todo o gosto, acorro. A rede ex aequo solicitou-me que a ajude a divulgar a sua actividade. E é, acima de tudo, porque conheço o excelente trabalho que vem desenvolvendo que o faço.

A rede é uma associação de jovens lésbicas, gays, bissexuais, transgéneros e simpatizantes com idades compreendidas entre os 16 e os 30 anos em Portugal.

A rede ex aequo tem como objectivo trabalhar no apoio à juventude lésbica, gay, bissexual ou transgénera e na mudança das mentalidades em relação às questões da orientação sexual e identidade de género.

Tenho vindo a abordar regularmente, como é sabido pelos leitores usuais do Devaneios, a problemática da , procurando, dentro dos limitadíssimos raios de acção da blogoesfera, contribuir na modesta proporção deste Devaneios para uma profícua mudança de mentalidades.

Mas a intervenção política e social faz-se, acima de tudo, na insistência quotidiana de quem acarinha projectos de luta pela consagração daquilo que são, antes de mais, direitos humanos.

A associação desenvolve um trabalho essencial de proximidade, gerando confiança e dissipando dúvidas, esclarecendo direitos, formando consciências e cultivando a tolerância e intervenção cívica país fora.

Existem grupos de jovens locais de apoio a lésbicas, gays, bissexuais, transgéneros e simpatizantes a funcionar em Aveiro, Beja, Braga, Coimbra, Faro, Lisboa e Viseu. Nas reuniões destes grupos conversa-se sobre temas variados, que estão de algum modo total ou parcialmente ligados à temática LGBT, geralmente através de dinâmicas de grupo/exercícios pedagógicos que pretendem justamente ajudar e abordar assuntos porventura ainda difíceis noutros locais. Por exemplo, no grupo ex aequo faro falar-se-á brevemente de depressão e suicídio, tendências sentidas em silêncio tantas vezes por jovens LGBT.

Mais informação pode ser obtida no site da rede ex aequo.

cartoons: onde está o Hamas?

Um cartoon de António Jorge Gonçalves, publicado no Público.