A última mensagem enviada por Putin/Medvedev foi clara e fez-se sentir numa Washington ainda em comemorações de uma nova geração de políticos e políticas: o governo de Bishek anunciou o encerramento da importantíssima base aérea norte-americana de Manaz, no Quirguistão. O presidente Kurmanbek Bakiyev, que subiu ao poder na sequência da Revolução das Tulipas que depôs o ditador pró russo Askar Akayev, mas que também não revela particular vontade de sair de lá, anunciou que o despejo dos americanos nada tem a ver com simultânea ajuda financeira do Kremlin ao país, cifrada em cerca de 2500 Milhões de dólares.
A Rússia que, oficialmente, se diz "preocupada com a situação de ruptura geopolítica no Afeganistão e com concomitante ameaça para a sua segurança regional" consegue assim que os americanos, principais actores no teatro bélico, fiquem sem o seu mais importante ponto de passagem para o Afeganistão. Com um estilo tão cínico quanto diplomata, Moscovo anunciou agora "deixar" que a NATO abasteça as suas tropas no Afeganistão através de território russo.
E, como se não bastasse, reuniram-se há dias na capital russa os governos da Bielorússia do ditador Lukashenko e de todos os membros da Organização do Tratado de Segurança Colectiva, constituída pela Arménia, Cazaquistão, pelo Uzbequistão do tirano Islom Karimov, pelo Tadjiquistão do totalitário Emomali Rahmonov, Quirguistão, pelo Turquemenistão do sanguinário Saparmurat Niyazov e Rússia, decididos a renovar a força política e militar até agora mitigadas do Tratado assinado em 1992 em Tashkent.
Assim sendo, ajustaram aqueles insuspeitos governos criar uma força militar de reacção rápida, assumidamente contraposta à NATO, directamente financiada por Moscovo e que prevê estabelecer a breve trecho um sistema comum de misséis anti aéreos.
Resta apenas sublinhar que o historial e natureza dos membros deste novo Eixo é conhecida, por exemplo, por qualquer rápida consulta aos sítios da Human Rights Watch, da Amnistia Internacional ou da Federação Internacional de Helsínquia para os Direitos Humanos. E para bom entendedor meia palavra basta.