Aqui ao lado, em Espanha e a propósito da despenalização do Aborto e da Eutanásia, tem-se vindo a assistir a um bem interessante debate sobre a influência da Igreja Católica na sociedade espanhola. Longe das nossas polémicas sobre o "direito da Oposição a nomear um Provedor", os editoriais espanhóis, à Esquerda e à Direita, esgrimem hoje argumentos mais ou menos sérios sobre o devir da Sociedade espanhola, num processo que, reconheça-se, se tornou notório com a consagração do casamento civil entre pessoas do mesmo sexo. A verdade é que os espanhóis, com maior ou menor dificuldade, têm sabido fazer a síntese de um Tempo novo onde alguns, privilegiados históricos por razões políticas, culturais e económicas, perdem relevância e poder de domínio em face da necessidade de afirmação de uma Sociedade mais justa, de cidadãos livre e de facto iguais em direitos. Ora, desta evidência resulta a necessidade de consagrar medidas sociais que o afirmem e assegurem.
A resistência a este processo de saneamento é, admitamos, normal porquanto implica, como acima se disse, a perda de privilégios de domínio velhos como o Tempo, ainda que incomportáveis à luz dos tempos que correm.
Tem sido assim em Portugal e assim é em Espanha. A ofensiva da Conferência Episcopal Espanhola contra a proposta de despenalização da Lei de Aborto, atinge, por estes dias, o expoente máximo da indignidade. A Igreja Católica gastou já cerca de 250000 Euros em campanha contra o Executivo espanhol, nela se referindo que o Governo protege mais a Fauna e a Flora que os "nascidos humanos" e pedindo-se prisão efectiva para mulheres abortistas.
Ponto alto demonstrador do desespero de quem perde Poder, é o vídeo que acima se afixou e que alguma imprensa espanhola garante já ter-se alargado a diversas escolas do país. Trata-se de uma montagem que foi mostrada na aula de "Ética e Cidadania" do 4º ano do secundário (alunos com cerca de 15 anos) da Escola Puríssima Concepção e Santa Maria Micaela em Logronho (Comunidade Autonómica de La Rioja), um estabelecimento escolar "de gestão concertada" (i.e. semi-privado) gerido pela ICAR.
Estas escolas "de gestão concertada" são centros educativos semi-privados onde a maioria dos custos são suportados pelo Estado mas a gestão é privada, em grande parte dos casos atribuída à ICAR.
"Não ao Aborto, Sim à Vida" é constituído por 22 diapositivos que todos os alunos foram obrigados a visionar, tendo citações dos Evangelhos e imagens de supostos restos de fetos abortados e esquartejados ao lado de fotografias do primeiro-ministro, José Luís Rodríguez Zapatero, e da ministra da Igualdade, Bibiana Aído.
[na foto: os ministros do Governo Espanhol, uma vez empossados, devem jurar cumprir as suas funções diante da Cruz]






