A recente inflexão política de Obama no que toca à (não) publicação de novas fotos sobre abusos ocorridos no Iraque poder-se-à revelar, ao contrário daquilo agora propugnado pela Casa Branca, extremamente contra-producente.
Barack Obama tem tentado travar a publicação das imagens com o fito de minimizar o impacto das mesmas no sentimento antiamericano que a Guerra do Iraque fez alastrar por todo o mundo.
Pelo caminho, a imprensa especula e avança a existência de novos e (ainda mais) bárbaros abusos, não raramente detalhando, por exemplo, pormenores de abusos sexuais de civis iraquianos por parte de membros do exército norte-americano.
A vontade de Obama pode ser a melhor e mais bem intencionada. Revela, é certo, aquela que parece ser a sua tendência, ao contrário de todos os que lhe suspiravam utopia e lirismo: o novo presidente norte-americano avança na paradigmática real politik.
Mas, no caso presente, não chega.
A reposição da Justiça sonegada implica uma expiação política ao mais alto nível. Obriga ao reconhecimento pleno dos erros cometidos, ao julgamento e à punição dos seus autores. Pública e notoriamente.
A tentativa de não mostrar provas para não fazer crescer o sentimento anti-americano pode obter justamente o seu contrário, ao possibilitar interpretações na base das quais a Administração Americana poderia estar a esconder "o pior" e a "proteger criminosos". Sobretudo quando, à mercê dos problemas políticos no Senado, a Administração parece estar a voltar atrás com encerramento de guantanamo, reconhecendo agora, numa linguagem de tibiezas, a possibilidade de alguns juízos criminais militares virem a manter-se naquele local de Infâmia.











