Sexta-feira, Maio 29, 2009

transparência e culpa

A recente inflexão política de Obama no que toca à (não) publicação de novas fotos sobre abusos ocorridos no Iraque poder-se-à revelar, ao contrário daquilo agora propugnado pela Casa Branca, extremamente contra-producente.

Barack tem tentado travar a publicação das imagens com o fito de minimizar o impacto das mesmas no sentimento antiamericano que a Guerra do Iraque fez alastrar por todo o mundo.

Pelo caminho, a imprensa especula e avança a existência de novos e (ainda mais) bárbaros abusos, não raramente detalhando, por exemplo, pormenores de abusos sexuais de civis iraquianos por parte de membros do exército norte-americano.

A vontade de pode ser a melhor e mais bem intencionada. Revela, é certo, aquela que parece ser a sua tendência, ao contrário de todos os que lhe suspiravam utopia e lirismo: o novo presidente norte-americano avança na paradigmática real politik.

Mas, no caso presente, não chega.

A reposição da Justiça sonegada implica uma expiação política ao mais alto nível. Obriga ao reconhecimento pleno dos erros cometidos, ao julgamento e à punição dos seus autores. Pública e notoriamente.

A tentativa de não mostrar provas para não fazer crescer o sentimento anti-americano pode obter justamente o seu contrário, ao possibilitar interpretações na base das quais a Administração Americana poderia estar a esconder "o pior" e a "proteger criminosos". Sobretudo quando, à mercê dos problemas políticos no Senado, a Administração parece estar a voltar atrás com encerramento de , reconhecendo agora, numa linguagem de tibiezas, a possibilidade de alguns juízos criminais militares virem a manter-se naquele local de Infâmia.

bons sinais

A criação e lançamento, próximo Domingo pelas 16h, do Movimento pela Igualdade no acesso ao casamento civil constitui uma excelente novidade na Sociedade portuguesa. E diga-se, não pelos objectivos propostos - obviamente, correctos - mas pelos bons sinais que nos trazem.

É uma lufada de ar fresco, o abano telúrico certeiro que tanto precisávamos, que nos diz existir, ainda, na malha social portuguesa uma capacidade de mobilização em torno de um determinado objectivo político e cívico. Unir 800 conhecidas personalidades da sociedade portuguesa em torno da defesa última da Liberdade, da Justiça e da Igualdade é, no mínimo dos mínimos, bonito. Um enormíssimo alívio, um suspiro de vitalidade numa comunidade onde, tantas vezes, parece imperar a amorfidão, a apatia, a indiferença, a Indolência inerte de um Conformismo histórico.

Só por isto, bem hajam!

cartoons: um espantalho moribundo

manifesto do "Movimento pela Igualdade"

Manifesto:

A igualdade no acesso ao casamento civil é uma questão de justiça que merece o apoio de todas as pessoas que se opõem à homofobia e à discriminação. Partindo da sociedade civil, a luta pelo acesso ao casamento para casais de pessoas do mesmo sexo em Portugal conta neste momento com um crescente apoio político e social.

Nós, cidadãos e cidadãs que acreditamos na igualdade de direitos, de dignidade e reconhecimento para todas e todos nós, para as/os nossas/os familiares, amigas/os, e colegas, juntamos as nossas vozes para manifestarmos o nosso apoio à igualdade.

Exigimos esta mudança necessária, justa e urgente porque sabemos que a actual situação de desigualdade fractura a sociedade entre pessoas incluídas e pessoas excluídas, entre pessoas privilegiadas e pessoas marginalizadas; Porque sabemos que esta alteração legal é uma questão de direitos fundamentais e humanos, e de respeito pela dignidade de todas as pessoas; Porque sabemos que é no reconhecimento pleno da vida conjugal e familiar dos casais do mesmo sexo que se joga o respeito colectivo por todas as pessoas, independentemente da orientação sexual, e pelas famílias com mães e pais LGBT, que já são hoje parte da diversidade da nossa sociedade; Porque sabemos que a igualdade no acesso ao casamento civil por casais do mesmo sexo não afectará nem a liberdade religiosa nem o acesso ao casamento civil por parte de casais de sexo diferente; Porque sabemos que a igualdade nada retira a ninguém, mas antes alarga os mesmos direitos a mais pessoas, acrescentando dignidade, respeito, reconhecimento e liberdade. Em 2009 celebra-se o 40º aniversário da revolta de Stonewall, data simbólica do início do movimento dos direitos de lésbicas, gays, bissexuais e transgéneros.

O movimento LGBT trouxe para as democracias - e como antes o haviam feito os movimentos das mulheres e dos/as negros/as - o imperativo da luta contra a discriminação e, especificamente, do reconhecimento da orientação sexual e da identidade de género como categorias segundo as quais ninguém pode ser privilegiado ou discriminado. Hoje esta luta é de toda a cidadania, de todos e todas nós, homens e mulheres que recusamos o preconceito e que desejamos reparar séculos de repressão, violência, sofrimento e dor.

O reconhecimento da plena igualdade foi já assegurado em várias democracias, como os Países Baixos, a Bélgica, o Canadá, a Espanha, a África do Sul, a Noruega, a Suécia e em vários estados dos EUA. Entre nós, temos agora uma oportunidade para pôr fim a uma das últimas discriminações injustificadas inscritas na nossa lei. Cabe-nos garantir que Portugal se coloque na linha da frente da luta pelos direitos fundamentais e pela igualdade.

O acesso ao casamento civil por parte de casais do mesmo sexo, em condições de plena igualdade com os casais de sexo diferente, não trará apenas justiça, igualdade e dignidade às vidas de mulheres e de homens LGBT. Dignificará também a nossa democracia e cada um e cada uma de nós enquanto cidadãos e cidadãs solidários/as – e será um passo fundamental na luta contra a discriminação e em direcção à igualdade.

Movimento pela Igualdade

devaneios CityBreak: Cracóvia

Cracóvia!! Desde 65 euros (taxas incluídas), à partida de Faro em voos via Londres [Aer Lingus/Easyjet (sector FAO-LGW) e Easyjet (sector LGW-KRK)]

Para outras sugestões do Devaneios, consultar a coluna "devaneios CityBreak" deste blog ou este site.

Sábado, Maio 23, 2009

poderes

Goste-se ou não das propostas e do estilo de Marinho Pinto, o incidente de ontem à noite, na TVI, teve o benefício de pôr em evidência um problema muito maior, cuja análise é, nas sociedades contemporâneas, essencial. É absolutamente óbvio que a Liberdade de Imprensa é pilar basilar de uma Democracia. Mas, para além da verdade "lapalissiana" de semelhante constatação que todos assumimos, é preciso, também e sem tibiezas, reconhecer os problemas de um Poder desregulado.

Seja ele qual fôr.

E a verdade é que o alinhamento do "Jornal Nacional de Sexta-Feira" em geral, e o do Manuela Moura Guedes em particular, tem revelado, mais do que um mero facciosismo que todos sabemos reconhecer neste ou naquele órgão de informação, uma abjecta, grosseira e recorrente manipulação de factos. E, sobretudo, extremamente perigosa porque cada vez mais insondáveis parecem ser as suas razões ou motivações. A Imprensa é importante porque geneticamente afecta à defesa última da Verdade. E não de uma qualquer versão ou síntese da mesma.

Por isso, e ainda que para alguns membros da Corte seja truculento, populista, demagogo e o mais que se queira, Marinho Pinto disse tudo. E falou muito bem.

Quarta-feira, Maio 20, 2009

um país que é um bocejo

Segue animada a polémica em torno da distribuição de preservativos em ambiente escolar. Contudo o engraçado, o verdadeiramente espantoso, é o assunto ser, em si mesmo, polémica. Um dia acordamos e, como noutro dia qualquer, clicamos aqui e ali em busca de notícias... Lê-se, algures entre bytes e caracteres, que alguém propõe distribuir preservativos em ambiente escolar.

Nesse momento, bocejamos perante a trivialidade. Um "só agora?" surge-nos no pensamento com a facilidade de um suspiro. E, embalados na filosofia conformista do "mais vale tarde que nunca" descobrimos, de repente e para grande espanto, que isso, afinal, não é assim tão "normal".

Constatamos, afinal, que o PS acha que poderão vir a ser, ao invés dos Gabinetes de Apoio escolar, os centros de saúde a distribuir os preservativos aos estudantes do Ensino Secundário. E que dentro do PS da moderna esquerda há quem ache que um preservativo distribuído por um psicólogo ou um professor "não é cuidado de saúde, é facilitismo".

Entorpecidos ainda pela polémica nesse grande partido de Esquerda que é o PS, descobre-se ainda, a linhas tantas, que esse "declarado apoiante do PS", que é ginecologista e professor de Ética Médica na Faculdade de Medicina de Lisboa, discorda do projecto ora apresentado por não contemplar a abstinência voluntária na adolescência como opção a ensinar aos alunos na definição do momento de início da vida sexual.

Pelo caminho e embalados na dita "polémica", há quem garanta que a Educação sexual e a distribuição de preservativos no Reino Unido é a razão da explosão da gravidez juvenil observável naquele país, aventando logo perigoso e idêntico devir para a Pátria lusa; Ou quem ache que isto das "camisinhas" tem tudo a ver "a promoção do lesbianismo e homossexualidade [note-se, pelos vistos, não estar aquela contida nesta última] a assunto de Estado", antevendo que as escolas vão agora ensinar orgias, swings e sexo tântrico.

E há a SIC, que no seu telejornal, entendeu ser apenas relevante para o assunto, sem que demais opiniões pudessem, aparentemente, relevar, perguntar à ICAR, à Comunidade judaica e à Islâmica o que pensavam desta ideia. Em uníssono, uma óbvia resposta, conseguindo aquilo que raramente se consegue das Religiões: a união.

Depois de tudo, fechamos as janelas abertas, bocejamos...e perguntamo-nos, entorpecidos na banalidade dos dias lusos, se tudo isto vale a pena.

Quarta-feira, Maio 13, 2009

Portugal ao longe

Com este texto dou início à minha participação no Devaneios, de que sou leitora assídua há vários anos. Agradeço ao Max o convite, que representa para mim um estímulo e uma prova de confiança.
Dentro de pouco tempo tenciono mudar-me para a Noruega. Perante tal decisão, dizia-me um amigo em tom de brincadeira que eu parecia estar a desenvolver uma estranha fixação por penínsulas, referindo-se às minhas origens ibéricas e à minha especialização na região dos Balcãs. É certo que os Balcãs não são propriamente uma península, facto de que o meu amigo estava consciente, sendo ele próprio da região. Ainda assim, o seu comentário não deixou de ser acertado. As periferias da Europa interessam-me muito mais do que o centro.
Quando comecei a estudar a região dos Balcãs, um dos motivos da minha escolha foi a vontade de me distanciar da realidade portuguesa e procurar compreender uma outra sobre a qual não sabia praticamente nada. O que tenho observado e aprendido permitiu-me ficar a conhecer Portugal bem melhor, enquanto que o facto de ser portuguesa, ou seja, oriunda de uma região periférica em termos europeus, acabou por constituir uma vantagem, tantos verifiquei serem os pontos em comum entre a nossa cultura e a cultura da região, apesar de percursos históricos completamente diferentes. Esses pontos comuns incluem, pela positiva, a afabilidade das pessoas, no gosto em receber, numa certa forma de gozar os pequenos prazeres da vida, mas também, pela negativa, a pobreza de espírito das respectivas elites, a facilidade com que situações de corrupção são encaradas como normais, o fatalismo, a tendência para a vitimização, etc.
Tendo a possibilidade de contactar com uma realidade marcada por problemas muito mais profundos e difíceis de ultrapassar do que aqueles que se vivem em Portugal, confesso que por vezes me canso deste verdadeiro desporto nacional que é a auto-comiseração, mas tenho muita dificuldade em explicar o que está errado com este país, que parece ter tudo para dar certo, mas se revela sistematicamente incapaz de concretizar o seu potencial. Talvez o contacto com um país bastante mais desenvolvido e uma cultura bastante mais distante como a norueguesa me permita encontrar respostas para a minha perplexidade em relação a Portugal.

Segunda-feira, Maio 11, 2009

um Devaneios maior, agora com a Sarah

Os mais atentos já devem ter reparado nas mudanças da barra lateral deste blogue. Prestes a fazer 4 anos de blogoesfera, o Devaneios recruta para escriba convidada a minha amiga Sarah Franco. As suas opiniões são conhecidas dos leitores costumeiros deste blogue dada o seu empenho no debate de muitas questões ao longos dos últimos anos deste blogue.

Para quem não a conhece, permito-me sumariar um pouco o seu percurso. Trata-se de uma, quanto a mim brilhante, investigadora das ciências políticas internacionais, com provas dadas e conhecimento efectivo, sobretudo, das questões Balcanicas mas não só.

Na blogoesfera, vem mantendo o anglófono café turco.

Parece-me que a Sarah imprimirá ao Devaneios, sem beliscar o alinhamento editorial do estaminé, algum do seu melhor estilo, marcado por um interessante cerebralismo, sensibilidade, cosmopolitismo, paixão pela Liberdade e pelo simples prazer da reflexão nas coisas. Contem, portanto, com ela, a partir de hoje, por estas bandas.

Sejas, pois, bem-vinda Sarah:)

citação: os futuros dirigentes, as caixas do supermercado e o bacalhau da Nação

«(...)Hoje, os futuros dirigentes da Nação formam-se nas "jotas" a colar cartazes e a aprender as artes florentinas da intriga e da bajulice aos poderes partidários, enquanto à Universidade cabe formar desempregados ou caixas de supermercado. A situação não é, pois, especialmente grave. Um engenheiro ou um doutor bêbedo a guiar uma carrinha de entregas com música pimba aos berros não causará decerto tantos prejuízos como se lhe calhasse conduzir o país. Acontece é que muitos dos que por aí hoje gozam como cafres besuntando os colegas com fezes, emborcando cerveja até cair para o lado, perseguindo bezerros e repetindo entusiasticamente "Quero cheirar teu bacalhau" andam na Universidade e são "jotas". (...)»

Manuel António Pina, no Jornal de Notícias.

Domingo, Maio 10, 2009

Bela Vista e a imigração

No oportunismo político de alguns, os acontecimentos da Belavista trazem a necessidade de revisão da política de . Em tempos eleitorais, férteis numa Demagogia embalada pela mão da Crise, o assunto calha bem, seguindo-se mesmo a uma medida tão pífia quanto populista do Governo.

A associação que alguns políticos possam fazer entre as duas temáticas deve ser, por princípio, combatida porque destinada, tão-somente, a introduzir na sociedade um quantum de celeuma, medo e polémica objectivamente xenófoba que em nada contribui para a resolução do problema.Antes pelo contrário.

É por demais óbvio a qualquer cidadão intelectualmente honesto que a vasta maioria dos habitantes de bairros como o da Bela Vista são, pura e simplesmente, portugueses. Indivíduos, independentemente da raça, nascidos em Portugal.

A Direita deve, assim, cessar qualquer esforço de identificação entre as duas realidades. E a Esquerda deve, também, perder as tibiezas do seu discurso. A questão é, antes de tudo, um problema criminal. De desrespeito continuado pela Ordem Pública. Em Rousseau, a desobediência por parte do cidadão a determinada norma vira legítima se a mesma não for imposta. E é por isso que a Democracia, se legítima e verdadeira, não deve recear fazer vingar a Ordem Democrática.

É óbvio, claro está, que, como qualquer fenómeno criminal, existe uma pesada influência de factores sociais a ter em conta bem como experiências que devem ser evitadas todo o custo. Para tanto, dever-se-ia, por exemplo e entre tantas outras coisas, rever toda a estratégia de edificação social da maior parte das Câmaras deste país, apostadas ainda hoje em meramente substituir barros de lata por bairros de cimento, cristalizando todas as diferenças e clivagens sociais. Nem que, como diz o "i" em jeito de descoberta da pólvora, seja necessário substituir todas as "janelas partidas".

Acima de tudo, compreendamos de uma vez por todas: nada disto tem alguma a coisa a ver com política de .

Sexta-feira, Maio 08, 2009

Partilha'te

Já aqui haviamos falado deste projecto. Voltamos, agora, ao assunto porque falta pouco, muito pouco, para estarem completas o número mínimo de histórias para se publicar o livro.

Mas recordemos. O objectivo desta ideia é criar um livro através da partilha de histórias. Histórias reais, simples ou complexas, tristes ou alegres, grandes ou pequenas, de rejeição ou aceitação, de amor ou de ódio, individuais ou de grupo, mas histórias que partilhem fragmentos de vida. Com este tipo de comunicação, o autor espera contribuir para a temática da homossexualidade no sentido em que seja possível que outros possam também vê-la como algo banal. Basta clicar "A Tua História" e contar como foi...

[publicado simultaneamente no Devaneios LGBT]

Quinta-feira, Maio 07, 2009

Pão e Circo

O Partido Socialista anunciou a sua intenção de chumbar três propostas que visam a proibição de animais selvagens no circo. Parece que o entendimento da bancada parlamentar do PS é que é preciso “privilegiar a pedagogia às medidas repressivas”.

Pessoalmente, nunca gostei de Circo. E de circos. Em criança dificilmente compreendia a alegria dos palhaços que a escola Primária amiúde me impunha e os feitos dos animais dificilmente me enchiam os olhos. Antes pelo contrário, e talvez por educação, lembro-me de já ter uma razoável consciência do sofrimento que deveria ser imposto aos ditos.

Isto porque, na verdade, as actuações de animais em circos não só apresentam uma visão distorcida da vida selvagem e de como aqueles animais são, como, por outro lado, implicam para os mesmos uma vida de encarceramento em condições não raras vezes miseráveis, submetidos que são, também não raras vezes, a treinos de grande violência pelo puro e singelo prazer de os obrigar a actuações que lhes são, naturalmente, estranhas. Ora, neste ponto, sempre me quis parecer que o entretenimento era, pelo menos paras as crianças, muito pouco pedagógico...

E, aqui chegados, admito que se possa ter opinião diversa. E que, nesse sentido, o PS não concorde com o dois projectos de lei, do PCP e PEV, e uma recomendação ao governo do BE pendentes na Assembleia da República.

Contudo, dificilmente compreendo, ou melhor, aceito os dizeres da Sra. deputada Eugénia Alho:

« afirmou-se “francamente perplexa” com as propostas da oposição – “Nesta altura de crise os partidos proponentes dão prioridade aos animais selvagens em vez de a darem aos trabalhadores [dos circos]»

Este tipo de malabarismo intelectual tem sido regularmente empregue pelo aparelho socialista o que, convenhamos, é lamentável porquanto encerra uma desastrosa noção de Democracia por parte dos seus membros. Estas chicotadas de arrogância por alguns temas, aqui e ali temperados pela demagógica linguagem da crise que a todos parece aproveitar, são, saibamos reconhecer, palhaçadas proto-totalitárias de quem não convive bem que opiniões diversas.

Acaso o país parará porque em crise? É que dizer-se que um determinado problema é irrelevante em face da crise que todos deve unir é uma cambalhota fácil e um argumento básico, sempre pronto e de utilização apelativa. Mas pequenino, populista e pouco digno para cidadãos que exijam mais dos seus políticos do que Pão e Circo.